APRESENTAÇÃO
 
No Ano de 2000, foi dado início a um projecto totalmente inédito no quadro da arqueologia portuguesa,  consistindo numa tentativa de dar uma resposta adequada a dois desafios:

1º - Tentar salvar o maior número de artefactos  que têm vindo a ser arrojados e dispersos nas praias e depósitos de dragados, adjacentes ao rio Arade e à Ria de Alvor ,  em resultado das sucessivas dragagens realizadas nos seus estuários;

2º - Tentar aproveitar as sinergias resultantes da generalização do uso de detectores de metais, prática usual em tais zonas,  desde há duas décadas, mas interdita desde 1999.

Descarga de areias


Nestas áreas, a inconveniência da utilização de detectores de metais releva menos em termos de preocupações estratigráficas  comparativamente ao enorme potencial de informação espacial e histórico-arqueológico que tais pesquisas proporcionariam se fossem  arqueologicamente enquadradas.

Depósito de Dragados - Alvor

Parecia tanto mais importante quanto se conhecia a existência de numerosas e interessantes colecções de bens arqueológicos com  esta proveniência, em posse de particulares, ao mesmo tempo que se tentou evitar a perda irreversível de bens e de conhecimentos que,  mais do que pertencerem a todos nós, são a nossa própria memória.

Praia da Rocha (à esquerda - anos 60, à direita - actualidade)

Como tal, foi celebrado um acordo de colaboração, entre o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, e um grupo de  cidadãos que desde os anos 80, se dedicavam à prospecção com detectores de metais nas áreas anteriormente referidas.

Foram estabelecidas normas, passando pela delimitação das zonas a prospectar, pela declaração dos achados, efectuada através de  relatórios periódicos a enviar ao CNANS, dos quais constam , a descrição e identificação do objecto, a sua foto, o achador, a data e  circunstancias do achado, e a localização onde foi recolhido, em cartografia georeferênciada, à escala de um para mil.

O nome do Projecto e o logotipo foram baseados no reverso de uma moeda de IPSES, povoado pré-romano, que se supõe situado na área  geográfica do Município de Portimão ( Vila Velha, em Alvor ).



Todos os participantes no projecto assinam um compromisso de honra, em que se comprometem a cumprir rigorosa e integralmente todos  os pressupostos do acordo de colaboração celebrado com o CNANS, e são constituídos como fiéis depositários dos objectos por si recolhidos,  comprometendo-se a ceder as peças aos Museus locais para efeito de exposição, ou estudo.

Desde o ano 2000, o trabalho desenvolvido, está integrado no plano de actividades anuais do CNANS.